SpaceX faz o maior IPO da história, mas opera no prejuízo: o que está por trás dos números

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SpaceX faz o maior IPO da história, mas opera no prejuízo: o que está por trás dos números

🚀 O maior IPO da história trouxe números recordes e, junto com eles, uma pergunta que o mercado ainda não respondeu.

A SpaceX acabou de protagonizar o maior IPO da história. A empresa estreou na NASDAQ levantando US$ 75 bilhões de uma só vez e saiu da operação avaliada em US$ 1,75 trilhão. Com isso, Elon Musk ficou a um passo de se tornar o primeiro trilionário do mundo. São cifras que colocam a estreia em outro patamar, bem acima de qualquer abertura de capital que o mercado já tinha visto.

Por trás dos recordes, porém, existe um detalhe que costuma ficar de fora das manchetes: a SpaceX dá prejuízo. Só em 2025, a empresa fechou quase US$ 5 bilhões no vermelho. Ou seja, a avaliação bilionária não vem do lucro da operação, e sim da expectativa em cima do que a companhia pode se tornar.

O que sustenta a avaliação não é o foguete

Os lançamentos espaciais são a face mais visível da SpaceX, mas também a mais cara. O que sustenta boa parte do valor da empresa é o Starlink, o serviço de internet via satélite que cobra mensalidades de milhões de assinantes ao redor do mundo.

É essa receita recorrente, e não o espetáculo dos foguetes, que dá ao mercado a confiança para bancar uma avaliação na casa do trilhão. Quando investidores olham para a SpaceX, boa parte da aposta está no crescimento do Starlink como negócio de assinatura, não apenas na operação espacial em si.

A corrida da IA está financiando a corrida espacial

Há ainda um ponto pouco comentado e bastante revelador sobre como esse mercado está conectado. Para reforçar o caixa antes do IPO, a SpaceX vendeu poder de computação para o Google e para a Anthropic.

Na prática, isso significa que parte do dinheiro que abastece a corrida espacial vem diretamente da corrida pela inteligência artificial. Empresas que treinam grandes modelos de IA precisam de capacidade computacional, e a SpaceX entrou nessa cadeia como fornecedora. Os dois movimentos de fronteira do momento, espaço e IA, aparecem aqui amarrados pelo mesmo fluxo de capital.

Os paralelos com a bolha .com

A escala dessas avaliações inevitavelmente traz comparações com a bolha da internet no fim dos anos 1990. Para dar dimensão: as três maiores empresas daquele ciclo, Microsoft, Cisco e Intel, valiam no auge, já corrigido pela inflação, cerca de US$ 3 trilhões somadas. Hoje, SpaceX, OpenAI e Anthropic juntas já ultrapassam esse valor.

A semelhança nos números esconde, no entanto, uma diferença importante. As gigantes da bolha .com davam lucro no auge da euforia. Já SpaceX, OpenAI e Anthropic ainda operam no prejuízo. É um ponto que muda bastante a leitura da comparação e divide opiniões no mercado.

Daí a pergunta que paira sobre tudo isso: estamos vendo o futuro sendo construído na nossa frente, ou a história se repetindo com outra roupa? É provável que a resposta só fique clara com o tempo, à medida que essas empresas mostrem se a expectativa atual se converte em receita sustentável.

O que dá pra tirar de tudo isso

A estreia da SpaceX é um retrato fiel do momento do mercado: avaliações altíssimas, narrativas poderosas e fundamentos ainda em construção. Vale acompanhar de perto, porque a mesma lógica que pesa sobre as gigantes da tecnologia também aparece, em menor escala, em qualquer negócio que decide investir em inovação.

No fim, a régua que separa uma aposta sólida de um hype caro é simples: o quanto a tecnologia se traduz em receita de verdade. Vale para o Starlink dentro da SpaceX e vale para qualquer empresa que pensa em adotar IA hoje.

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